As valas das estradas, onde o número de animais atropelados aumenta constantemente, são um exemplo dos acidentes provocados ao evitar animais que aparecem de repente “no nosso caminho”.
A base do problema reside na fragmentação do habitat, já que vários traçados das estradas cortam os caminhos naturais anteriormente utilizados pelos animais na busca de alimentos, abrigo, viagens migratórias periódicas ou acasalamento. Contudo, as técnicas de construção das estradas geram impacto em termos de ocupação do solo da estrada e, por isso, uma grande invasão dos habitats naturais.
Assim, a solução passa por minimizar, mas não eliminar por completo os trilhos que faziam parte do habitat destes animais. Desta forma, não haverá tanto impacto a nível de sinistralidade causada por animais selvagens.
Para tal, devem ser feitas passagens a pensar na preservação do normal quotidiano destes animais, adaptada ao tipo de fauna, aos seus percursos, ao seu habitat e atendendo ao historial de mortalidade animal e de sinistralidade existentes no local.
Após esta análise, os técnicos decidem qual o melhor tipo de passagem da fauna para cada terreno, de modo a que sejam construídas estradas sem danificar o habitat natural de espécies da zona.
Quais os tipos de passagem possíveis?
Ecodutos
São pontes verdes, de grandes dimensões, revestidas com solo e vegetação local, que permitem a passagem dos animais de forma segura.
Passagem superior para fauna
Apenas utilizadas pelos animais, estas passagens permitem a inexistência de perturbação no percurso dos animais. Normalmente, consistem em pontes.
Passagem superior multifuncional
Geralmente, estas passagens são utilizadas para recuperar caminhos de gado, em estradas com pouco tráfego de veículos. A zona para a circulação dos veículos é pavimentada e a zona para passagem de animais é coberta com terra.
Passagem inferior específica para grandes mamíferos
Quando a estrada passa por uma terraplanagem, estas passagens, de uso exclusivo da fauna, são utilizadas para restabelecer a permeabilidade do solo. É importante uma boa drenagem para não haver acumulação de água.
Passagem inferior multifuncional
Semelhante ao caso anterior, embora neste caso também sejam destinadas à restituição de caminhos de gado. A zona destinada à passagem de fauna deve ser coberta com substrato natural.
Passagem inferior específica para pequenos vertebrados
É uma passagem com dimensões de cerca de 2mx2m que deve ser o mais curta possível.
Drenagem adaptada a animais terrestres
Passagem destinada a pequenos e médios mamíferos, com um área central para a passagem de água e corredores laterais para a passagem dos animais.
Drenagem adaptada para peixes
Todas as estruturas para a passagem de água permanente têm de ser preparadas para a passagem de peixes, dando continuidade a um fluxo da água de forma natural.
Estas passagens são pontos a ter em conta aquando a construção de estradas que interrompam os percursos naturais da fauna de cada local, fazendo parte de cada planeamento.
Cada vez mais, começa a ser uma preocupação, principalmente em países europeus, que lutam agora pela continuidade das espécies e minimização de risco de extinção da sua fauna.
A Insparedes deseja-lhe Boas Viagens!