Sabia que a qualidade do sono pode afetar a condução?

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Sabia que a qualidade do sono pode afetar a condução?

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Todos sabemos que conduzir com sono “não é boa ideia”. Mas, na prática, subestimamos muitas vezes o impacto real de uma noite mal dormida quando assumimos o volante, esquecendo o quanto esta pode afetar a condução.

Entre horários apertados, trabalho, família e vida pessoal, dormir bem acaba muitas vezes empurrado para o fim da lista de prioridades.

O problema? Quando pegamos no carro cansados, não levamos só o corpo com fadiga – levamos também reflexos mais lentos, menos capacidade de decisão e maior probabilidade de erro. 

Tal como conduzir à chuva, dormir pouco pode afetar a condução, aumentando o risco de acidentes.

A sonolência afeta a concentração, o tempo de reação e até a perceção do perigo. E, em muitos casos, o condutor nem se apercebe do quão cansado está. 

Neste artigo explicamos como a qualidade do sono influencia diretamente a segurança rodoviária e pode afetar a condução, quais os sinais a que deve estar atento e que hábitos pode adotar para reduzir o risco de sonolência ao volante.

Menos horas de sono, mais risco ao volante

Dormir pouco não é apenas “andar mais cansado”. Uma má noite de sono pode afetar a condução, provocando:

  • Reflexos mais lentos;
  • Dificuldade em manter a atenção durante muito tempo;
  • Maior irritabilidade e impaciência no trânsito;
  • Capacidade de decisão prejudicada (ex.: avaliar mal distâncias e velocidades);
  • Microsonos – pequenos “apagões” de segundos que podem ser fatais.

Se pensar bem, tudo isto é o contrário do que precisamos para conduzir em segurança. Um condutor sonolento reage tarde, distrai-se com facilidade e tem mais tendência para cometer erros, mesmo em trajetos que faz todos os dias.

Sinais de que o sono já está a afetar a condução

Tal como o piso molhado avisa com pequenas derrapagens, o corpo também dá sinais quando já não está em condições ideais para conduzir. Alguns alertas a que deve estar atento:

  • Boceja frequentemente e sente os olhos pesados;
  • Tem dificuldade em fixar o olhar na estrada;
  • Pisca os olhos com mais frequência ou sente a vista turva;
  • Começa a perder saídas, a “acordar” em locais sem se lembrar bem dos últimos quilómetros;
  • Tem pequenas oscilações de velocidade sem dar conta;
  • Dá por si a corrigir constantemente a trajetória do carro na faixa.

Se estes sinais surgirem, é porque a qualidade do sono já está a afetar a condução e a comprometer a sua segurança. Aqui, a precaução é parar, descansar e só depois retomar a viagem.

Hora de conduzir: o que fazer quando está cansado?

Há dias em que não dormimos bem e, ainda assim, temos de cumprir horários. Nesses casos, o ideal é combinar bom senso com medidas muito concretas, evitando que a má qualidade de sono possa afetar a condução e a sua segurança:

  • Evitar conduzir logo após uma noite muito mal dormida, sobretudo em trajetos longos ou monótonos (autoestrada).
  • Preferir horários em que se sinta naturalmente mais desperto, evitando conduzir de madrugada ou muito tarde.
  • Fazer pausas regulares, pelo menos a cada 2 horas de condução, para esticar as pernas, beber água e “arejar” a cabeça.
  • Não confiar apenas em estimulantes como café ou bebidas energéticas – podem mascarar o cansaço por momentos, mas não substituem o descanso.
  • Se sentir sono a meio da viagem, a solução mais segura é parar num local próprio (área de serviço ou estação), descansar um pouco e só depois retomar.

Bons hábitos de sono, melhor segurança na estrada

Tal como a manutenção do carro é essencial para conduzir em segurança, também a “manutenção” do seu descanso faz toda a diferença na forma como conduz. Alguns hábitos que ajudam:

  • Tentar dormir, de forma consistente, 7 a 8 horas por noite;
  • Manter horários relativamente regulares para se deitar e levantar;
  • Evitar ecrãs (telemóvel, tablet, TV) na hora de deitar – a luz azul afeta a qualidade do sono;
  • Não fazer refeições muito pesadas ou com muito açúcar antes de dormir;
  • Reduzir o consumo de cafeína a partir do final da tarde;
  • Criar um ambiente calmo no quarto: pouco ruído, pouca luz e temperatura confortável.

Pode parecer que “não tem tempo” para dormir bem. Mas, se pensar que depois vai pegar no carro consigo e com a sua família lá dentro, a perspetiva muda: dormir passa a ser parte da sua rotina de segurança rodoviária e tentará ao máximo impedir que o seu sono (ou falta dele) possa afetar a condução no dia a dia.

E o carro, também conta?

Claro que sim. Um condutor cansado num carro com manutenção negligenciada é uma combinação de risco. Mesmo que esteja descansado, é importante garantir que o veículo está em condições:

  • Travões a funcionar corretamente;
  • Pneus com piso adequado e pressão correta;
  • Luzes reguladas e operacionais;
  • Escovas limpa-para-brisas em bom estado;
  • Sistemas de assistência à condução (quando existem) devidamente verificados.

A inspeção periódica e a manutenção regular garantem que o carro responde quando o condutor precisa. Mas é o condutor que tem de estar em condições de reagir – e isso começa, inevitavelmente, na forma como dorme.

Condução e sono: mitos que deve abandonar já

Há algumas ideias muito comuns que, na prática, são perigosas e que podem afetar a condução, promovendo riscos desnecessários:

  • “Eu aguento, conheço bem o caminho.”
    Conhecer a estrada não reduz o efeito do cansaço. Aliás, caminhos repetitivos tendem a aumentar a sonolência.
  • “Um café forte resolve.”
    O café pode ajudar a sentir-se mais desperto por algum tempo, mas não corrige a falta de sono. Quando o efeito passa, o cansaço volta… muitas vezes com mais força.
  • “Se eu abrir o vidro e puser música alta, não adormeço.”
    Ar fresco e música podem disfarçar o sono durante alguns minutos, mas não substituem uma pausa verdadeira.

Sempre que a sonolência aparece, a solução mais segura é simples: parar, descansar e só depois continuar.

A qualidade do sono não é apenas uma questão de bem-estar; é também uma questão de segurança. Um condutor descansado é um condutor mais atento, mais paciente e mais capaz de reagir a tempo.

Tal como cuida dos pneus, dos travões e das luzes, cuide também do seu descanso diário. Antes de sair de casa, pergunte a si mesmo: “Dormi o suficiente para conduzir em segurança hoje?”

Porque, no fim de contas, a viagem mais importante é aquela em que chega bem. E isso começa, muitas vezes, na noite anterior.

A Insparedes deseja-lhe Boas Viagens!

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