Motas no Inverno – descubra as melhores dicas para circular com segurança!
Circular de mota em dias de frio, chuva e vento faz parte da rotina de muitos motociclistas.
Idealmente, evitaríamos sair quando o tempo está mais adverso, mas a verdade é que nem sempre isso é possível: trabalho, horários e imprevistos obrigam-nos a enfrentar o inverno em duas rodas.
Para quem utiliza motas no inverno, o desafio não é apenas o desconforto de chegar molhado ou com frio.
O piso torna-se mais escorregadio, a aderência dos pneus diminui e qualquer erro pode ter consequências mais sérias. Por isso, é fundamental adotar uma condução mais prudente e ajustar a técnica às condições da estrada.
Motas no inverno: porque é que a chuva aumenta tanto o risco?
Quando a chuva aparece, a estrada muda completamente de comportamento. O piso fica escorregadio, a água acumula-se em determinados pontos e a mota perde parte da sua aderência natural.
Em termos simples: o limite entre o “controle” e a perda de tração fica muito mais curto.
Nas épocas frias, as motas no inverno enfrentam:
- Menos aderência entre pneu e asfalto;
- Maior probabilidade de derrapagens;
- Menor visibilidade, tanto para o condutor como para os outros utilizadores da via;
- Temperaturas baixas que também afetam o desempenho do pneu.
Tudo isto significa que, ao circular de mota no inverno, a margem para erro encolhe. O segredo? Prevenção, suavidade e muito equilíbrio.
Equilíbrio: manter a mota o mais direita possível
Um dos pontos-chave para conduzir motas no inverno, especialmente com chuva, é o equilíbrio. Quanto mais inclinada estiver a mota, maior a probabilidade de perda de aderência.
Sempre que possível:
- Faça manobras com a mota o mais vertical possível;
- Ao travar, curvar ou atravessar zonas com água acumulada, tente manter-se perpendicular ao asfalto;
- Evite mudanças bruscas de direção ou “toques” agressivos no guiador.
Isto não significa deixar de curvar, mas sim suavizar gestos e evitar inclinações exageradas. Em piso molhado, menos “espetáculo” e mais estabilidade.
Travagem com motas no inverno: o papel do travão traseiro
Quando o piso está molhado, travar corretamente é meio caminho andado para evitar sustos. Aqui, há três palavras de ordem: antecipação, suavidade e progressão.
Alguns princípios importantes:
- Dê protagonismo ao travão traseiro.
Em estrada molhada, o travão de trás oferece uma travagem mais controlada. O travão dianteiro, além de suportar grande parte do peso na travagem, tem maior tendência a bloquear se for acionado de forma brusca. - Use o motor para ajudar a travar.
Reduza mudanças de forma gradual, deixe o motor ajudar a abrandar e utilize o travão traseiro para completar a travagem. - Evite “apertos” de última hora.
- Quanto mais cedo começar a travar, menos força terá de aplicar e mais estável ficará a mota.
Distância de segurança: o dobro, pelo menos
Com motas no inverno, a distância de segurança deve ser bem maior do que em piso seco. Não se trata apenas de ter espaço para travar, mas também de proteger-se da água projetada pelas rodas dos carros da frente.
Recomenda-se:
- Aumentar claramente a distância para o veículo da frente;
- Dar ainda mais espaço se a estrada tiver marcas de água, buracos ou for pouco regular;
- Reduzir a velocidade antes das curvas e nunca travar já inclinado ou a meio da curva.
Quanto mais tempo tiver para reagir, mais hipóteses tem de corrigir uma derrapagem ou evitar um obstáculo.
Asfalto molhado e alcatrão gasto: cuidado extra com a inclinação
A segurança em motas depende muito do estado dos pneus e da qualidade do piso. No inverno, o asfalto pode acumular:
- Manchas de combustível difíceis de ver;
- Zonas polidas e lisas, onde a água não escoa bem;
- Rachas, remendos e buracos que ficam “disfarçados” pela chuva.
Ao conduzir motas no inverno, é essencial:
- Circular a uma velocidade moderada e constante;
- Evitar inclinações agressivas em curvas, sobretudo em cruzamentos e rotundas;
- Estar atento a zonas brilhantes demais no piso – muitas vezes são óleo ou gasóleo.
A regra de ouro é simples: quanto maior a superfície do pneu em contacto com o chão (mota mais direita), menor a probabilidade de queda.
Poças e charcos: evitar sempre que possível
As poças de água são um clássico das motas no inverno – e um perigo muitas vezes subestimado. O problema não é só a água em si, mas aquilo que está escondido debaixo dela.
Numa poça pode haver:
- Tampas de esgoto;
- Grelhas metálicas;
- Buracos profundos;
- Lombas ou desníveis.
Se puder, evite passar por cima. Se não tiver alternativa:
- Mantenha a mota o mais vertical possível;
- Segure o guiador com firmeza, mas sem movimentos bruscos;
- Não acelere nem trave a meio do charco;
- Deixe a mota rolar com velocidade estável até sair da poça.
Acelerar ou travar em cima de água parada aumenta o risco de aquaplaning, que retira controlo à mota e pode originar uma queda.
Equipamento para motas no inverno: ver e ser visto
Andar de mota no inverno não é só uma questão de técnica: o equipamento faz uma diferença enorme na segurança e no conforto.
Priorize:
- Impermeabilidade e proteção, mais do que apenas conforto;
- Roupas adequadas para chuva (fato completo ou sobre-luva e sobre-casaco impermeáveis);
- Proteções em pontos estratégicos: coluna, ombros, cotovelos, joelhos, ancas, zona lombar;
- Elementos refletores, para ser visto com facilidade por outros condutores.
No capacete:
- Utilize viseiras com tratamento anti-embaciamento ou aplique produtos específicos que facilitem o escoamento da água;
- Mantenha a viseira limpa e em bom estado para garantir visibilidade em dias de chuva e nevoeiro.
Se utilizar scooter, uma proteção de pernas própria para o modelo pode ajudar a manter-se seco e também a proteger do frio – algo muito importante em viagens diárias.
Pneus e manutenção: a base da segurança em motas no inverno
A melhor eletrónica do mundo (ABS, controlo de tração, etc.) não substitui a qualidade e o estado dos pneus. Em motas no inverno, os pneus são os verdadeiros heróis silenciosos.
Pontos fundamentais:
- Nunca prolongar em excesso a vida útil de pneus ou pastilhas de travão só para poupar alguns euros;
- Verificar regularmente a profundidade do piso – sulcos rasos têm mais dificuldade em escoar água;
- Confirmar a pressão correta de acordo com as indicações do fabricante;
- Utilizar, se possível, pneus com composto e desenho adequados para piso molhado, mais elásticos e com bom padrão de drenagem.
Além dos pneus, não descure:
- Nível e estado do líquido de travões;
- Funcionamento do sistema de travagem;
- Luzes e piscas, essenciais em dias de baixa visibilidade.
Uma mota bem mantida responde melhor quando mais precisa dela – especialmente nas condições menos favoráveis do inverno.
Andar de mota no inverno não tem de ser sinónimo de medo, mas deve ser sinónimo de respeito pelas condições da estrada.
Resumindo:
- Adapte a velocidade e aumente a distância;
- Mantenha a mota o mais direita possível em piso molhado;
- Evite manobras bruscas, travagens tardias e poças sempre que puder;
- Invista em pneus adequados e num bom equipamento de proteção;
- Não subestime o impacto da chuva, do frio e da fadiga.
Se utiliza motas no inverno no dia a dia, faça da prevenção o seu melhor hábito. Assim, chega mais longe, com mais conforto… e, acima de tudo, com muito mais segurança.
A Insparedes deseja-lhe Boas Viagens!